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CNBB desaprova a revisão
da lei do aborto
27 de julho 2005 - (Folha de S. Paulo) A CNBB (Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil) condena a revisão da lei do
aborto e afirma que sua posição é de "pleno
respeito à dignidade e à vida do ser humano, não
importando o estágio de seu desenvolvimento ou a condição
em que ele se encontra". Ou seja, o aborto é condenado
em qualquer circunstância.
Ontem, o secretário-geral da CNBB, d. Odilo
Pedro Scherer, foi procurado, mas, segundo a sua assessoria, estava
viajando e não poderia se pronunciar sobre o assunto. A assessoria
informou que prevalecia a posição da entidade, que
consta no seu site oficial.
Durante os trabalhos da comissão, Scherer
chegou a dizer que considerava tendencioso pensar apenas na mulher
no debate da descriminalização do aborto. "Ninguém
quer a punição, mas olha o outro lado: as clínicas
de aborto, todo o negócio em cima."
Segundo d. Amaury Castanho, bispo de Jundiaí
(SP), a CNBB defende "a cultura da vida e não a da morte".
"Propor a descriminalização do aborto é
uma atitude lamentável e de incentivo à cultura da
morte", afirmou ele.
Na sua avaliação, com a mudança
de gestão no Ministério da Saúde --saída
de Humberto Costa e entrada de Saraiva Felipe--, dificilmente será
dado encaminhamento ao projeto de descriminalização
do aborto. "Esperamos que ele avalie os resultados dessa comissão
de forma criteriosa e não ceda às pressões
das feministas."
Ao assumir a pasta, Saraiva Felipe, 53, suspendeu
várias portarias editadas por Costa, entre elas aquela que
permitia que o aborto legal fosse feito sem apresentação
do boletim de ocorrência.
O bispo auxiliar do Rio de Janeiro, d. Antonio Augusto
Dias Duarte, tem posição semelhante. Médico
e com especialização em pediatria, ele afirma ser
"duplamente" contra o aborto e a sua descriminalização.
"Não importa se é uma semana de gestação
ou se são 12 ou 20 semanas. A vida é inviolável
desde a concepção", afirmou, referindo-se ao
prazo de 12 semanas previstos na proposta de anteprojeto de descriminalização
do aborto.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u111397.shtml
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